Órgãos de Segurança Pública do Pará não possuem registros de maus tratos de animais

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Órgãos de Segurança Pública do Pará não possuem registros de maus tratos de animais - Crédito: Divulgação

É difícil de acreditar, mas é justamente na época do ano onde a maioria das pessoas falam de fraternidade, paz e amor, que aumenta o número de cães e gatos abandonados nas ruas de Belém, segundo Raquel Viana, proprietária do abrigo Au Family.

“Nessa época muitas pessoas ligam, deixam mensagens no Facebook pedindo para que a gente fique com os seus animais de estimação, pois elas querem viajar e não tem com quem deixar. Quando não encontram largam o bichinho na rua”, conta.

É quando começa o trabalho de Raquel e de seus apoiadores, todos os dias eles saem nas ruas para acolher animais abandonados, a maioria é vítima de algum tipo de violência.

“Nessa época aumenta muito o número de animais abandonados, mas é muito mesmo. Nós fazemos o resgate dos animais e trazemos para o abrigo, onde cuidamos deles até que eles fiquem bem o suficiente para serem adotados. Nós temos 600 animais. Todos eles foram vítimas de maus tratos”, conta.

Apesar do esforço do abrigo, ainda é difícil tomar atitudes mais eficazes no combate ao crime contra animais domésticos, pois nem mesmo os órgãos de segurança pública tem controle sobre isso. De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, a Delegacia de Meio Ambiente – DEMA não tem números de animais abandonados, nem mau tratados, porque não costuma registrar todos os dados de maus tratos em Belém nem no Estado, uma vez que todas as delegacias podem fazer isso.

Para Raquel isso é revoltante, ela diz que já chorou muito por causa dessa situação.

“Como não há aplicabilidade da lei, a DEMA costuma ser inoperante porque as vezes a gente faz a denúncia, eles não vão atrás, não tem contingente operacional, não tem viatura ou quando vão, não tem para onde levar. Então, nada é feito. E a lei não pune, a lei considera os animais como coisas, eles não são sujeitos de direito, nem perante o código civil. E a pena do código penal é insignificante, detenção nunca é aplicada, no máximo a pessoa paga cesta básica ou faz algum tipo de serviço social que não serve para nada”.

Mas, se por um lado há quem abandone um animal, há quem queira adotar. É o caso do advogado, André Frazão que depois de criar muito carinho pelo ‘Marronzinho’ um cãozinho em situação de rua, que ele encontrou no Complexo Feliz Luzitânia, no bairro da Cidade Velha, em Belém, acabou levando o cãozinho para casa.

“Eu tenho um carinho enorme por ele, no início eu levava o que podia até a Casa das 11 janelas, quando percebi já estava mais envolvido do que imaginava e acabei levando-o para casa. Infelizmente, ele acabou fugindo depois de um incidente, onde a coleira arrebentou e ele fugiu com medo. Mas, já consegui localiza-lo e nesta quinta-feira, 06, vou buscá-lo, levar para casa e dar para ele uma vida digna”, afirmou o advogado.

Fonte: Roma News