Escola estadual com reforma orçada em R$ 5,7 milhões tem até buraco na parede

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Estado pagou R$ 5,7 milhões para reformar a Escola Brigadeiro Fontenelle, na Terra Firme, mas a realidade é de uma situação precária. (Foto: Divulgação)

Em junho de 2017, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação Pública (Seduc), assinou um contrato, no valor de 5,7 milhões, para obras de reforma e ampliação da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Brigadeiro Fontenelle, no bairro da Terra Firme. Mas a realidade é de alunos estudando em condições tão precárias a ponto de haver enormes crateras nas paredes que dividem as salas de aula, sem que qualquer providência seja tomada para o conserto.

O convênio para a reforma foi assinado com o Consórcio Lisboa – formado pelas empresas Santa Rita Engenharia Ltda., Quadra Engenharia Ltda. e GM Engenharia – O contrato sofreu o terceiro aditamento no mês passado, em mais de R$ 800 mil. Uma fonte ouvida pelo DIÁRIO que trabalha no local há mais de 10 anos afirma que problemas estruturais sempre ocorreram na escola, e que as obras só começaram a ser vistas há cerca de seis meses.

Uma das piores situações é a de duas salas, uma de Ensino Médio e outra de Ensino Fundamental, que estão divididas por uma divisão provisória. Ou pelo menos estavam, até um buraco tão grande aparecer ali a ponto da aula de uma atrapalhar o andamento da outra. “Estão nos informando que a reforma será concluída em dezembro, mas pelo que a gente vê, não parece que vai ficar tudo pronto até lá. Acho que o problema é que as obras ocorrem durante as aulas, então fica tudo bem mais complicado”, explicou a fonte. O ano letivo da rede estadual deve ir até março do ano que vem.

CAPA

Uma das coordenadoras gerais do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp), Sílvia Letícia, antecipa que uma das audiências que a sindical tenta marcar é com a equipe de transição do próximo Governo, justamente para tratar sobre as escolas em todo o Estado que estão com obras paradas ou inacabadas. “Fui à Salvaterra há poucos dias e vi um colégio que foi demolido para que outro fosse construído, e está tudo parado”, relata.

Ela diz que a situação da Brigadeiro Fontenelle é semelhante a muitas outras na Terra Firme e em outros bairros. “Sem contar que, depois da entrega, nós ficamos ligando para a empresa que fez a obra pedindo que volte porque sempre aparece alguma coisa precisando de reparo. O Governo gasta muito ‘fazendo a capa’, mas não aplica o dinheiro onde deve”, critica Sílvia, que também é professora.

A reportagem buscou um posicionamento da Seduc sobre o prazo para entrega da reforma na Brigadeiro Fontenelle, mas não recebeu qualquer retorno.

CONTRATO

O Consórcio Lisboa venceu um processo de licitação que inclui não somente a reforma e ampliação da EEEFM Brigadeiro Fontenelle, mas também a construção do restaurante da Seduc, pelo valor de R$ 5,7 milhões. No DOE de 17 de outubro passado, o 176/2017 aparece sendo adiado pela terceira vez, com acréscimo de R$ 836 mil.

(Carol Menezes/Diário do Pará)